quinta-feira, 2 de junho de 2011

Concentração absoluta

Ch’ing, o mestre-carpinteiro, estava desbastando madeira para preparar uma estante para instrumentos musicais. Ao terminar, o trabalho parecia aos que o viam que tivesse sido executado por meios sobrenaturais. O príncipe Lu perguntou-lhe: “Que mistério existe na tua arte?”.
“Nenhum mistério, alteza”, replicou Ch’ing.
“Todavia existe algo. Quando estou para fazer uma obra, evito qualquer desperdício do meu poder vital. Primeiro reduzo a mente a uma absoluta imobilidade. Três dias nessa condição, e esqueço qualquer recompensa que possa ganhar. Cinco dias, e esqueço qualquer fama a ser alcançada. Sete dias, torno-me inconsciente dos meus quatro membros e da minha estrutura física.
Então, sem qualquer pensamento na mente, minha perícia torna-se concentrada, e todos os elementos externos perturbadores desaparecem.
Entro então em alguma floresta das montanhas e escolho a árvore adequada. Ela contém a forma requerida que, a seguir, é elaborada. Vejo a obra com o olho mental e começo a trabalhar. Além disso, nada há. Ponho a minha capacidade natural em relação à da madeira. O que se suspeita haver de sobrenatural na execução do meu trabalho decorre unicamente disso.”
Fonte: http://samsara.blog.br/2007/08/concentrao-absoluta/

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